Mães abrem negócios para ficar mais perto dos filhos

MAESeja por rejeição do mercado de trabalho ou por vontade própria, mulheres que se tornaram mães têm apostado no próprio negócio para ficar mais perto dos filhos e ao mesmo tempo ganhar grana extra.

Há 19 anos, Luciana Pinheiro Bucalo, 42 anos, tomou coragem e abriu o próprio negócio. Hoje ela atua como designer de interiores.“Decidi empreender quando engravidei e fui demitida. Percebi que as empresas não queriam mulheres com filhos”, declara.Outro exemplo de sucesso é a empresária Katia Martinelli, 47 anos, atualmente proprietária de uma franquia na área educacional com 650 alunos e mãe de dois filhos. “Trabalhar por conta é puxado, mas você tem autonomia e liberdade para acompanhar os filhos”, declara.

Segundo dados da Rede Mulher Empreendedora, que ouviu cerca de 1.400 pessoas em agosto de 2016, 85% das mulheres ouvidas já empreenderam e 15% pensam em empreender. Entre as empreendedoras três em cada quatro decidiram abrir empresa após a chegada dos filhos. Os setores de serviços e comércio são os principais alvos dessas mães.

Os serviços foram o caminho escolhido por Ana Paula Peraza, 31 anos, mãe da pequena Manuela, 2 anos, que decidiu abrir uma empresa especializada em decoração de festas infantis para se dedicar mais À pequena. “Faço compras, contato com fornecedores e visitas técnicas”.

Ana conta que chega a faturar R$ 1.000 por cada evento, mas, para isso, é preciso ter muito jogo de cintura e dedicação.“Ser mãe é minha prioridade e minhas clientes mais próximas sabem disso. Acho que é por isso que funciona, afinal, a maioria delas são mães e entendem. É lógico que todos os dias reservo algumas horas do dia para o trabalho”, diz.
Formada em publicidade, ela diz não ter arrependimentos. “Não me arrependo de trabalhar em casa para poder ficar com minha filha. Tenho certeza que fiz a melhor escolha para minha família.”
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Para Ana Lúcia Fontes, presidente da Rede Mulher Empreendedora, o crescimento do número de empreendedoras no Brasil não surpreende. “As mães não se sentem acolhidas dentro da empresa quando retornam da licença-maternidade. Além disso, boa parte das corporações não permite horários flexíveis. Empreender surge, então, como única opção de mercado”, afirma.
Empreender, porém, não é garantia de sucesso. Para evitar frustrações, Ana Carolina de Oliveira, gerente do Sebrae-SP, orienta: “Converse com pessoas que estão no ramo em que você pretende entrar, tome cuidado com o que está na moda, faça o planejamento financeiro, veja qual o nível de engajamento e se você tem aptidão para o que escolheu.”