Crianças da Grande S.Paulo estão acima do peso

LANCHEA maioria das crianças da Região Metropolitana de São Paulo está acima do peso. Esse é o resultado da pesquisa The Infant and Kids Study, realizado pelo Ibope a pedido da Nestlé, que confirma a tendência apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de que até 2025 a obesidade e o sobrepeso infantil deverão atingir aproximadamente 75 milhões de crianças no mundo.

Os pais dificilmente identificam a obesidade na criança, por isso não previnem o problema quando ela começa a engordar, fase em que é muito mais fácil de corrigir o problema. “Muitas vezes temos apenas um componente da família obeso e a família não percebe que deve modificar todos os hábitos afinal, uma pessoa magra que ingere alimentos de baixa qualidade nutricional pode adoecer da mesma forma que um individuo obeso”, explicou Cláudia Carneiro, professora de Pediatria da Faculdade de Medicina do Centro Universitário São Camilo.

O estudo, feito com mil crianças entre 0 e 12 anos, mostra que 33,5% dos consultados entre 4 e 12 anos consomem mais gordura do que a recomendação diária nas refeições e 75% das crianças entre 7 e 12 anos passam quatro horas ou mais por dia em frente à televisão ou computador. O péssimo hábito alimentar associado a alta taxa de sedentarismo é um dos possíveis motivos para o surgimento de crianças “gordinhas”. “A obesidade é causada pela ingestão inadequada de alimentos e redução da prática de exercícios físicos, mas também por fatores ambientais, além de biológicos, hereditários e psicológicos”, explicou Cláudia Carneiro.

De acordo com a especialista, mudanças na sociedade e a modernização e globalização dos fast food são alguns dos fatores que estão impulsionando a obesidade infantil. “A mudança de hábito alimentar vem ocorrendo há décadas. Esses pais atuais são de uma geração onde o consumo de fast foods e alimentos de baixa qualidade nutricional entraram fortemente no mercado. A questão é bem complexa”. afirmou.

Para Cláudia, os meios de comunicação, que veiculam propagandas da indústria alimentícia, também têm parcela de culpa. “Não há na mídia uma propaganda de salada de frutas feita em casa. A mídia tem poder de falar ao nosso inconsciente. Isso é um perigo!”, alertou.

Os dados relacionados à prática de atividade física levantados pelo estudo também são preocupantes. Mais da metade das crianças entre 1 e 12 anos está sedentária, ou seja, praticam menos de 300 minutos (5 horas) de atividade física por semana. Na faixa etária entre 10 e 12 anos, o problema atinge 45% das crianças. ” Atividade física tem que ser vista como um hábito necessário, como tomar banho, escovar dentes ou ir à escola. Uma criança deve fazer pelo menos 1 hora de atividade física ao dia, incluindo correr, andar bicicleta, jogar bola”, revelou a especialista.

A criança obesa deve ser estimulada a levar uma alimentação saudável, necessitando ser balanceada e adequada com todos os grupos alimentares. “Deve ser uma alimentação com horários regulares, regada a frutas, legumes, verduras, nenhuma fritura e, de preferência, nenhum alimento industrializado”, orientou.

Cálculo da obesidade
Para os adultos é mais fácil calcular quem está no peso ideal através do IMC. Nas crianças, é diferente, porque o cálculo é feito através de uma curva que avalia idade, sexo, peso e altura. Justamente por causa dessa curva, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) lançou a primeira calculadora de IMC para crianças. Basta inserir os dados corretos de peso, altura, sexo, data de nascimento e data em que pesou e mediu a criança. A ferramenta é para crianças de 5 a 19 anos.