Expedição analisa água da Billings e Guarapiranga

BARCOÀs margens da Represa Billings – um dos principais reservatórios da Região Metropolitana do Estado e que banha cinco cidades do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – foi lançada oficialmente ontem a segunda fase da Expedição Mananciais 2016: Billings e Guarapiranga. O evento ocorreu no bairro Estoril, em São Bernardo.

Idealizada pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e parceiros, entre eles a Fundação SOS Mata Atlântica, a ação realiza, pelo segundo ano consecutivo, o diagnóstico ambiental dos reservatórios por meio de análises físico-químico e microbiológicas que identificam quais são os problemas e traçam soluções para melhorar a qualidade da água das represas.

Até o fim de abril, mês previsto para divulgação dos resultados, o grupo terá percorrido 450 quilômetros e coletado dezenas de amostras de material em 164 pontos dos mananciais, estabelecidos pela equipe técnica.

À frente desse projeto está a bióloga especialista em recursos hídricos e professora da USCS Marta Ângela Marcondes. “É do nosso interesse compartilhar os resultados dessa pesquisa com a comunidade e, principalmente, com o poder público da região, pois são eles quem podem mudar a situação dos nossos rios e represas”, declara.

A ideia da expedição surgiu por meio de atividades desenvolvidas por Marta e por um grupo de estudos dos reservatórios, chamado de Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos). A meta é finalizar os trabalhos em 2025. Entretanto, até o momento, os resultados não são nada animadores. “Não detectamos evolução no que diz respeito a saneamento básico e notamos acúmulo maior de lixo neste segundo ano”, avalia.

O projeto também prevê que moradores que vivem em torno das represas passem por avaliação de saúde.

Após divulgação da análise final, seminários serão apresentados nos municípios para buscar soluções para o problema.

A próxima etapa da Expedição Mananciais ocorrerá em maio, nos rios Tamanduateí e Meninos, além da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

ECOESPORTISTA

O levantamento da qualidade das represas conta com a participação do ecoesportista de São Bernardo Dan Robson, 42 anos, que percorre os mananciais a bordo de caiaque equipado com instrumentos para analisar a água, fotografar e produzir vídeos em tempo real. “É comum encontrar lata, vidro, lâmpada, tubo de televisão e até carcaça de carro”, diz ele.

Coordenador do projeto Rede das Águas, da Fundação SOS Mata Atlântica, Gustavo Veronese, lamenta tal situação. “Precisamos cuidar mais dos nossos rios, lagos e represas.”

No encontro, também foi promovida remada e travessia de 6 quilômetros a nado. Cerca de 20 alunos da USCS, ligados à área de Saúde, analisaram IMC (Índice de Massa Corpórea), pressão arterial, taxa glicêmica e propensão a doenças cardiovasculares do público.