Araraquara implanta lockdown total por 60 horas

Rua de comércio de Araraquara (SP) deserta. Cidade teve lockdown decretado na segunda-feira (15) por causa da confirmação da variante do Amazonas do novo coronavírus. Foto: Prefeitura de Araraquara

Rua de comércio de Araraquara (SP) deserta. Cidade teve lockdown decretado na segunda-feira (15) por causa da confirmação da variante do Amazonas do novo coronavírus. Foto: Prefeitura de Araraquara

Com 100% dos leitos de enfermaria e UTI (Unidades de Tratamento Intensivo) ocupados por pacientes com covid-19 pelo quinto dia consecutivo, a prefeitura de Araraquara (273 km de SP) decretou nesta sexta-feira (19) lockdown total entre o meio-dia deste domingo (21) à meia-noite de terça-feira (23). O decreto foi assinado ontem pelo prefeito Edinho Silva (PT).

A cidade, que tem 238.339 habitantes e está na fase vermelha do Plano São Paulo, já estava com a circulação da população restrita por 15 dias desde a última segunda-feira (15), quando a Secretaria Estadual da Saúde, da gestão João Doria (PSDB), confirmou 12 casos autóctones da variante do Amazonas, considerada mais transmissível. Agora, fechará até os serviços considerados essenciais, como bancos.

De acordo com o novo decreto, está proibida a circulação de carros e pessoas na cidade durante 60 horas. Quem precisar sair de casa deverá apresentar documento que justifique a saída. Quem for pego e não apresentar provas da necessidade será multado em até R$ 6 mil.

Só ficarão abertos farmácias e unidades de saúde. Os ônibus de transporte público não vão circular e os supermercados poderão funcionar apenas por delivery. Já os postos de combustíveis abastecerão exclusivamente carros dos serviços públicos municipais, estaduais, federais e a Polícia Militar. Segundo a Prefeitura, a partir de quarta-feira (24) voltará a entrar em vigor o decreto que estabelece o isolamento social com o funcionamento de serviços essenciais até as 20h.

Em uma live transmitida pelo Facebook ontem, o prefeito petista justificou a decisão de endurecer as restrições na cidade. “Estamos falando de um momento em que as pessoas estão adoecendo e levando a doença para outras pessoas. Estamos falando de um momento em que as pessoas estão precisando de leitos hospitalares e muitas de leitos de UTI. Estamos falando de um momento que famílias estão chorando a morte de seus entes, que só nós podemos juntos podemos tirar Araraquara dessa situação”, disse Edinho Silva.

De acordo com o último boletim diário do Comitê de Contingência do Coronavírus, Araraquara registrou nesta sexta (19) cinco novas mortes (quatro pacientes com doenças crônicas e um sem comorbidades) e 187 novos casos de covid-19. Agora, já são 12.989 casos confirmados no município. Do total de confirmados, 1.257 permanecem em quarentena e 11.565 já tiveram alta. Aguardam resultado de exames 240 amostras. São 167 mortes até o momento, diz a Prefeitura. “Se não derrubarmos a contaminação, será impossível produzir leitos para todos esses pacientes”, disse o prefeito em vídeo.

Ainda segundo a prefeitura, a quantidade de mortes em decorrência do novo coronavírus nos primeiros 19 dias de fevereiro dobrou em relação ao mês de janeiro inteiro. No mês passado, foram contabilizados 2.029 casos e 24 óbitos. Neste mês, quando a cepa de Manaus foi detectada, ocorreram 2.633 novos casos e 51 mortes, 21 óbitos, faltando oito dias para o término do mês.

De acordo com a pasta, se comparar com o ano passado, o número de mortes de fevereiro equivale a 55% de todas as ocorridas entre março e dezembro de 2020, que contabilizou 92 óbitos. “Só vamos parar de contaminar se as pessoas pararem de circular”, afirmou o prefeito petista.