Megarrodízio começa a valer nesta segunda em toda a capital paulista

Bloqueio na avenida Radial Leste, altura da avenida Aricanduva. Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Bloqueio na avenida Radial Leste, altura da avenida Aricanduva. Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

O rodízio de veículos ampliado e mais restritivo em São Paulo começa a valer nesta segunda-feira (11). Imposta pela gestão Bruno Covas (PSDB), a medida é para tentar intensificar o distanciamento social em meio a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que no sábado (9) registrou o índice de 50% na cidade de São Paulo.O número considerado ideal é de 70%.

O megarrodízio será válido para todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos, durante as 24 horas do dia, e as restrições para circulação abrangem toda a cidade, não apenas o centro expandido como antes. Só haverá exceção no domingo (31), quando o rodízio não será aplicado.

A restrição funciona assim: nos dias pares, circulam os carros com final da placas pares (0, 2, 4, 6 e 8). Nos dias ímpares, trafegam veículos com final da placas ímpares (1, 3, 5, 7, e 9). Isso aumenta a restrição de circulação de carros de 20% para 50%, segundo a prefeitura.

Veículos particulares de servidores da segurança pública, funcionários do serviço funerário, profissionais da imprensa e fiscais, além dos profissionais de saúde e de imprensa, entre outros, estão isentos do rodízio. Os profissionais dessas categorias devem fazer o pedido pelo e-mail isencao.covid19@prefeitura.sp.gov.br ou pelo site www.sp156.prefeitura.sp.gov.br. Táxis e motos também estão liberados para circular.

Para o consultor de mobilidade urbana Flamínio Fishman, essa decisão, porém, pode não ter o efeito desejado. “Com essa medida, a prefeitura estará empurrando boa parte da população que precisa ir às ruas para o transporte público, aumentando a aglomeração e as as chances de contaminação”, afirmou.

A prefeitura disse que irá colocar mil ônibus a mais nas ruas da capital e deixará outros 600 preparados para um eventual aumento na demanda de passageiros. Motoristas ameaçam paralisação se os veículos tiverem de sair das garagens sem cobradores.

De acordo com o governo do estado de São Paulo, gestão João Doria (PSDB), a frota da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), do Metrô e da EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano) será ajustada se houver a necessidade, para que não haja aglomerações.

Para Fishman, a melhor solução para a redução no deslocamento dentro da cidade seria a “utilização de escalonamento de horários e o incentivo na diminuição dos dias de trabalho dos funcionários”.

Para o consultor em engenharia urbana Luiz Célio Bottura, será difícil a prefeitura fiscalizar esse rodízio. “Eu repetiria o sistema do rodízio ambiental. Com esse novo modelo, será complicado saber quem realmente pode transitar ou não”, disse. “Não há dispositivos eletrônicos em quantidade e não tem agentes suficientes para fazer uma fiscalização adequada”, acrescentou.

Infectologista e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Munir Akar Ayub também faz críticas. “Precisamos ficar atentos sobre como pessoas que não estão dispensadas do rodízio vão fazer para ir a um hospital. Em hemodiálise, por exemplo, o tratamento pode começar em um dia e acabar em outro”, disse.

Motoristas de aplicativo

A implementação do novo modelo de rodízio gerou reclamação de motoristas de veículos de transporte por aplicativo, que não estão isentos do rodízio.

Heliton Emiliano, 47 anos, que mora em São Bernardo do Campo (ABC), diz que as corridas mais lucrativas estão em São Paulo, mas que agora terá de trabalhar apenas na região onde vive. Seu carro tem placas com final 1 e ele não poderá circular pela capital nesta segunda.

“Alugo o carro para 30 dias. Impossível alugar um carro por dia com placas diferentes”, afirma. Carlos Teixeira, 41, acha que o número de viagens cairá pela metade. “O que já era ruim, ficou ainda pior”, diz o motorista.

Na última quinta-feira (7), a Amasp (Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo) enviou uma carta ao prefeito Bruno Covas (PSDB) formalizando o pedido de mudança. “Estamos atuando com todo cuidado recomendado pela Prefeitura, máscaras, álcool em gel, não aglomeração e demais orientações na disposição de ajudar ao combate ao mesmo tempo em que transportamos os profissionais dos serviços essenciais e as pessoas que necessitam atendimento médico ou hospitalar, ou que estejam entrando e saindo dos hospitais com alta médica”, diz o texto, que conclui solicitando a “redefinição das restrições” impostas aos motoristas.

Resposta

Em nota, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da gestão Bruno Covas (PSDB), disse que adotou todas as medidas necessárias para plena fiscalização do rodízio, mas não soube informar o número de profissionais e a quantidade de aparelhos preparados para identificar possíveis infratores.

Questionada sobre uma possível flexibilização à Amasp, a Secretaria de Mobilidade e Transportes não respondeu até o fechamento desta reportagem.