Uso de máscara no transporte passa a ser obrigatório nesta segunda em SP

Usuarios com mascara circulam na estação de metrô Consolação - Eduardo Knapp/Folhapress

Usuários com mascara circulam na estação de metrô Consolação – Eduardo Knapp/Folhapress

Começa a valer nesta segunda-feira (4) a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção, seja descartável, profissional ou caseira, no transporte público do estado de São Paulo.

A medida, que será adotada após um decreto do governo do estado, sob a gestão João Doria (PSDB), para tentar diminuir a transmissão do novo coronavírus, é válida para passageiros das linhas da CPTM (Companhia Paulista Metropolitana de Trens) metrô, e ônibus rodoviários, interestaduais e municipais. A nova norma também vale para táxis e carros de aplicativos.

Os usuários que não estiverem usando a máscara correm o risco de serem barrados. Já as empresas podem ser advertidas e levar multa. Na capital, o valor será de R$ 3.300 por dia para cada ônibus com passageiros flagrados sem o item de proteção.

O designer César Lubini, 25 anos, que usa máscara com frequência no transporte público para ir de sua casa, em Santo André, ao trabalho na avenida Brigadeiro Faria Lima (zona oeste da capital), acredita que a medida é importante. “Acho bom, já que tem uma galera que não respeita a quarentena”, diz.

Há também quem não gostou muito, mas entende a importância de se prevenir e proteger outras pessoas. “O uso da máscara é essencial para todos, porém sabemos o desconforto que é usar. Mas, se não utilizar, o vírus vai continuar circulando por aí, o que é pior para todos”, afirma o gerente operacional Luciano Faria, 34 anos.

Segundo a SPTrans (responsável pelo transporte com ônibus urbanos na capital), os veículos estão recebendo adesivos com o aviso sobre a obrigatoriedade, que são fixados no para-brisa e nas portas.

BLOQUEIOS

Também começa a valer nesta segunda-feira (4) o bloqueio de algumas das principais vias da capital, sentido centro, imposta pela Secretaria Municipal de Transportes, sob gestão Bruno Covas (PSDB).

As interdições acontecem das 7h às 9h na avenida Moreira Guimarães com avenida Miruna (zona sul); avenida Santos Dumont com avenida do Estado (zona norte); Radial Leste com rua Pinhalzinho (zona leste); e avenida Francisco Morato com rua Sapetuba. Só foi liberada uma faixa de rolamento em cada trecho fechado.

Há também blitze educativas na avenida Vital Brasil com rua Camargo e na avenida João Paulo I, altura do 2.868 (ambas na zona oeste). Além da CET, contou com apoio da Polícia Militar e GCM (Guarda Civil Metropolitana).

De acordo com a prefeitura, a restrição ao fluxo de veículos imposta na capital tem o objetivo de colaborar para o aumento da taxa de isolamento social na cidade, que até este domingo (3) estava em 53%. A taxa ideal para combater a propagação do novo coronavírus, segundo as autoridades de saúde, é de 60% a 70%.

O empresário Gilberto Capelli, 54, que mora na Vila Carrão (zona leste), próximo a Radial Leste, não se mostrou a favor da decisão. “Acho que nada tem que ser com interdição. Acredito que se as pessoas saíssem de casa prevenidas com máscaras e evitando aglomerações já seria mais do que suficiente”, afirmou.

Ricardo Zanatta, 30, que há quatro anos é motorista de aplicativo e atua na região da Vila Olímpia (zona sul), também não gostou da imposição. “O pessoal aproveita que não tem rodízio e abusa. Interditar só vai aumentar o congestionamento dentro dos bairros”, opinou.

O taxista Vinícius Barbosa, de 55, vai além. “A prefeitura tinha que fazer um esquema de rodízio. Saiu com o carro em dia errado, multa. Só doendo no bolso para as coisas funcionarem”, comentou. A prefeitura suspendeu o rodízio de veículos na capital no início da pandemia, em março.

Sobre a sugestão do taxista, a CET disse que, por se tratar de uma ação educativa, não cabe multa, mas apenas orientar o motorista. Já sobre a continuidade do bloqueio nas quatro principais vias da cidade, o órgão disse que está prevista uma reunião ainda hoje para avaliar o resultado do primeiro dia da ação educativa e, se necessário, estender a interdição.