Familiares das vítimas de Paraisópolis pedem por justiça em ato ecumênico

Moradores de Paraisópolis e familiares dos nove jovens mortos durante ação policial em baile funk participam de ato ecumênico em homenagem às vítimas - Renato Fontes/Folhapress

Moradores de Paraisópolis e familiares dos nove jovens mortos durante ação policial em baile funk participam de ato ecumênico em homenagem às vítimas – Renato Fontes/Folhapress

Um ato ecumênico em homenagem aos nove jovens mortos durante ação da Polícia Militar em Paraisópolis reuniu neste domingo (8) moradores, familiares das vítimas e líderes comunitários. O ato foi realizado na viela da escadaria onde acontece o evento musical e contou com a participação de representantes de diversas religiões.

Emocionado, Danylo Amílcar, 19 anos, irmão Dênis Henrique Quirino da Silva, uma das vítimas, pediu por justiça. “Não é só minha família que está chorando. Tem mais oito. Meu irmão e os demais não voltam mais. Chega de violência. Se pudesse voltar no tempo, faria de tudo pra que ele não tivesse vindo pra cá. O que nos resta agora é apresentar os culpados”, afirmou.

Bruno Ramos, representante nacional do movimento funk em São Paulo, também marcou presença. “Todos que morreram não são de Paraisópolis, vieram de fora, ou seja, é ausência total de ações culturais nas comunidades em que cada um dos nove moravam. É um problema geral devido a falta de diálogo entre poder público e as comunidades”, afirmou.

O presidente da União dos Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, disse que pretende entrar com ação na justiça. “Vamos entrar com ação civil pública para que cada uma das nove comunidades dos jovens que morreram aqui tenham investimentos em cultura e educação”, disse.

O presidente da Ação Comunitária Nova Heliópolis, José Marcelo da Silva, foi ao ato com 20 moradores da comunidade prestar solidariedade às famílias.

“Assim como aqui, nossa comunidade também teve uma morte no mesmo dia. Isso é problema da nossa política de estado que está ultrapassada. É a mesma política pública de 40 anos atrás, de quando os bailes ainda eram feitos em garagens”, lembrou. “O Estado nunca organizada nada, apenas desorganiza com muita violência”, acrescentou.

A abertura do culto ecumênico teve um minuto de silêncio e leitura de uma passagem bíblica do livro de Êxodo lida pelo Frei Alamiro da Igreja Franciscana. “Deus faz justiça, ele jamais abandona seus filhos. Ele vai agir no momento certo para que a justiça aconteça”, disse. “Todos nós vamos nos encontrar um dia. Cremos na ressureição, portanto, é um até breve desses jovens” acrescentou Dom Lucas, do Mosteiro Dom Geraldo.

O culto foi encerrado com um abraço coletivo e gritos de justiça pedidos pelo pastor Igor Alexandre, que dirige uma igreja evangélica na viela onde ocorreram as mortes. Segundo o líder religioso, sete dos nove jovens morreram na porta da igreja. “Deus já está confortando os corações de cada familiar. A luta continua. Nesse momento de dor, nosso papel é orar para que nunca mais tragédias como essa voltem acontecer nas comunidades pelo Brasil”, contou.