Alunos estão sem transporte escolar há três semanas no ABC

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Alunos das escolas estaduais Professora Francisca Helena Fúria 1 e 2, em Santo André (ABC), estão há três semanas sem transporte escolar oferecido gratuitamente pela Secretaria Estadual da Educação, da gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Com isso, há estudantes faltando às aulas, indo a pé aos colégios e até pegando carona em ônibus.

Os pais dos alunos afirmam que a terceirizada prestadora do serviço suspendeu a circulação dos 20 ônibus no dia 7 de agosto, deixando crianças e jovens que moram no Recreio da Borda do Campo sem o transporte público.

As escolas atendem os ensinos fundamental e médio e EJA (jovens e adultos). Segundo funcionários, 40% dos estudantes não estão indo às aulas por causa da falta de transporte. Um comunicado na porta de uma das escolas diz que o serviço deve ser regularizado no dia 30.

As filhas de 12 e 18 anos da vendedora Ana Paula Teixeira, 33 anos, estão caminhando todos os dias por 45 minutos, ou 3 km, para chegar às escolas. Isso porque elas e as amigas cortam caminho por uma mata. Já o caçula fica em casa. “Meu menino tem apenas 8 anos e jamais vou deixá-lo ir sozinho, pois o caminho é longo e perigoso. Como trabalho e ele estuda de manhã, não tenho como levá-lo”, conta.

Caminhada
Quem também enfrenta o frio, calor, sol, menos a chuva, é a dona de casa Agatha Nayara, 23 anos, ao levar o filho Ryan, 6 anos, que está na primeira série do ensino fundamental na Furia 1. “É uma hora só de caminhada até a escola. Ele cansa, mas só não trago quando chove.”
O jateador Wellington Fernandes, 36 anos, leva e busca os filhos de 8 e 9 anos de carro. “Prefiro gastar gasolina ao ver eles repetirem de ano em dezembro”, declara.
A direção de uma das unidades de ensino estadual afirma que os alunos que não estão indo pela falta do transporte público terão as faltas abonadas.

Dona de casa pega carona em ônibus para levar crianças

A dona de casa Camila Gemignani, 27 anos, está levando e buscando o filho e o sobrinho, ambos de 7 anos, todos os dias na escola Professora Francisca Helena Fúria 1, unidade que tem ensino fundamental.

Para não prejudicar o desempenho escolar das crianças, a moradora do Recreio da Borda do Campo criou uma tática. “Pego carona com ônibus municipal e entro pela porta dos fundos, pois é inviável para mim ter que pagar duas viagens no valor de R$ 4,20”, afirma.

Ela cobra posicionamento das autoridades. “A direção do colégio toda vez estipula um prazo para solução do problema. Até onde sei, é um problema no contrato entre o Estado e a empresa que presta o serviço”, afirma.

Quando não consegue carona com vizinhos, a faxineira Fátima Alves, 58 anos, caminha por 15 minutos pelas calçadas irregulares para deixar o neto na unidade de ensino. “Nosso bairro possui muitas famílias carentes e as crianças precisam demais desses ônibus para lutarem por algo melhor no futuro, mas fica complicado do jeito que está”, diz.

Programa atende áreas afastadas

Têm direito ao transporte escolar fretado gratuito os alunos matriculados em escolas estaduais que moram em áreas afastadas, como zonas rurais, ou em locais onde há barreiras físicas, como pontes e grandes avenidas, que dificultam o acesso à escola.

Para saber se a criança tem direito ao transporte, os pais ou responsáveis devem procurar a escola, que analisa se o estudante se enquadra no perfil do serviço.