Grande SP fecha 15 vagas de trabalho por hora em 2017

Personal accounting

Embora os índices de emprego estejam mostrando sinais de recuperação, os trabalhadores da Grande SP continuam sofrendo com o desemprego em alta.

Dados do Dieese (departamento de estatísticas) mostram que a região fechou, entre janeiro e junho deste ano, 15 vagas por hora, ou 364 postos por dia.

Ao todo, são 66 mil vagas de trabalho encerradas, bem menos dos que as 184 mil fechadas no mesmo período de 2016, mas ainda distante de uma recuperação. “O Brasil vem mostrando pequenos sinais de recuperação, mas está longe de ser algo para se comemorar”, diz César Andaku, economista do Dieese.

O desempregado Adilson Demizu, 47 anos, morador da Vila Ema (zona leste), foi uma das vítimas do corte de vagas neste ano. Há três meses, Demizu perdeu emprego de 19 anos em um supermercado no centro da capital. “Por causa da crise, houve cortes de funcionários com salários altos”, diz ele, que era gerente.

Após a demissão e com cenário desfavorável, o desempregado planeja abrir o próprio negócio e não ter mais carteira assinada.

Cima Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, afirma que o que está havendo é uma mudança de desempregados para o mercado informal. “Há mais pessoas sem carteira assinada e por conta própria, sem garantias trabalhistas previstas por lei.”

Quem também está em busca de recolocação é o engenheiro de produção Diogo Rossi, 37 anos, desempregado desde junho. “Percebi que haveria ajuste no quadro de funcionários e me preparei. Consegui planejar meus gastos para sustentar minha família por até seis meses.”

Rossi conta que passa cinco horas por dia em busca de emprego, mas, até agora, realizou apenas duas entrevistas. Pelas previsões de Azeredo, ele ainda terá que ter muita paciência. “Vemos que há muito que caminhar para recompor o que foi perdido.”

Supervisor perdeu emprego há 1 ano

Desde que começou a trabalhar como aprendiz de ajustador mecânico, aos 14 anos, Vagner Rosa, hoje com 53 anos, conta que jamais passou por momento tão delicado na vida profissional, que teve início em 1978.

Há mais de um ano, o supervisor de logística está desempregado. “Cansei de mandar currículos. Tenho cadastro em sites especializados em vagas de emprego e participo de grupos nas redes sociais, mas, até agora, não apareceu nenhuma entrevista”, lamenta ele, que mora em São Caetano do Sul (ABC).

Para Rosa, a idade e o cargo são critérios que o colocam em desvantagem. “Já passei dos 50 e minha qualificação é alta. Pessoas com o meu perfil já não são atraentes para as empresas, que buscam jovens”, diz ele.