Pilar do Sul vive madrugada de pânico com tiros e explosões

ROUBOAs três únicas agências bancárias de Pilar do Sul (150 km de SP), cidade com 28,5 mil habitantes na região de Sorocaba (99 km de SP), foram alvos de uma qua­drilha de ladrões, que deto­naram caixas eletrônicos com explosivos e fugiram com a grana ontem de madrugada. Antes da ação, um posto de combustível foi roubado. Na
fuga, houve tiroteio com a polícia. Ninguém se feriu. O valor furtado não foi infor­mado. Até a conclusão desta edição, ninguém havia sido preso pela polícia.

Segundo testemunhas, 20 homens armados em 7 veí­culos chegaram à cidade por volta das 3h30. Durante 15 minutos, explodiram as três
agências da cidade.

Segundo o jornalista Sérgio Santos, morador da cidade, os ladrões explodiram três caixas eletrônicos do Banco Santander e cinco do Banco do Brasil, ambos no centro.

O bando também atacou a agência do Bradesco, segun­do testemunhas. Mas, neste caso, ela só foi alvejada com tiros. O cofre central e os cai­xas não foram explodidos.

A Secretaria Estadual da Se­gurança Pública afirmou que os ladrões só levaram grana de uma das agências.

Posto de gasolina

Alexandre Martinez, 46 anos, é recepcionista de um hotel próximo de uma das três agências atacadas. Ele relatou os momentos de pâ­nico. “Foram tiros para todo o lado. Moro aqui há 20 anos e nunca presenciei algo as­sim”, contou.

Segundo Santos, antes dos ataques, a quadrilha rendeu um frentista de um posto, roubou cerca de R$ 300 e ainda obrigou o funcionário abastecer um dos sete carros.

Na fuga, um carro da PM tentou interceptar os la­drões. Houve troca de tiros. Ninguém se feriu, diz a polí­cia.

‘Cidade pequena é frágil’

O especialista em segu­rança pública Diógenes Lucca afirma que ação criminosa em Pilar do Sul ocorrida on­tem pode ser classificada co­mo “um novo cangaço”, em referência à famosa quadri­lha do cangaceiro Lampião, que invadia povoados do sertão nordestino entre o fim do século 19 e meados do século 20.

Essa forma de agir se espa­lhou e chegou a outras re­giões do Brasil. “Os crimino­sos aproveitam a fragilidade de cidades com baixo efetivo policial para cometerem crimes de grande porte”, afir­mou Lucca.