Assoreamento e obras na beira da Billings preocupam especialistas

AGUAO assoreamento de aproximadamente 800 metros na margem da represa Billings, no braço Rio Grande, resultado de obra do governo do Estado para aumentar o abastecimento de água para Capital iniciada em 2015, preocupa pesquisadores. É o que revela o estudo da primeira semana da Expedição Billings, projeto idealizado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano), por meio do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos), em parceria com a empresa ProMinent, que tem como objetivo traçar diagnóstico ambiental de um dos mais importantes reservatórios da região metropolitana do Estado.

“Além de perder a capacidade de armazenamento do reservatório, esse fenômeno pode provocar a proliferação de bactérias que gastarão o oxigênio da água, afetando diretamente a vida dos seres vivos, como peixes”, explicou a bióloga, professora e coordenadora do projeto IPH/USCS Marta Ângela Marcondes. O braço Rio Grande (ponto 12 da análise) é a parte da represa Billings onde é feita captação de água para abastecimento da população. No local são captados 5 mil litros de água por segundo distribuídos para moradores de São Bernardo, Diadema e parte de Santo André.

De acordo com a especialista, é possível reverter o assoreamento. “É necessário reflorestar as margens e fiscalizar construções e grandes obras feitas na beira do reservatório, além de retirar dejetos depositados no fundo da represa”, explicou Marta.

Trechos bons

Em compensação, houve melhora em relação ao ano passado do ponto de vista da qualidade da água. O número de trechos bons passou de quatro para oito, os pontos considerados regulares caiu de nove para sete e ruins de sete para cinco. “Essa melhora está ligada à estação de chuvas e a efetividade de políticas públicas de saneamento”, apontou a bióloga.

Dos 20 pontos distribuídos em 57 quilômetros percorridos pelo eco-esportista Dan Robson, foram constatados oito pontos classificados como bons (quatro em Santo André, três em São Bernardo e um em Ribeirão Pires), sete como regulares (quatro em Santo André, dois em Rio Grande da Serra e um em São Bernardo) e cinco como ruins (dois em Santo André, um em São Bernardo, um em Ribeirão Pires e um em Rio Grande da Serra).

A segunda semana (faltam cinco) de análises começou nessa segunda-feira (03/04) em 22 pontos da represa na de divisa entre São Bernardo e Diadema. Até maio, mês previsto para divulgação do relatório final dos resultados, o grupo terá percorrido 462 quilômetros e coletado dezenas de amostras de material em 164 pontos dos mananciais estabelecidos pela equipe técnica entre Capital e ABCD. “Só com esses estudos que a gente terá efetividade na verificação das ações de saneamento e preservação do reservatório. Estamos construindo todo conhecimento da represa. Essa é a parte mais significativa do nosso trabalho.