Conheça as histórias dos homens que esverdeiam Santo André

MATAO Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, identificou a regeneração de 23.021 hectares, ou o equivalente a 230,21 km², entre 1985 e 2015, no Estado de São Paulo. De acordo com o estudo divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no começo deste ano, a área recuperada é maior do que a das cidades de Santo André e São Caetano juntas.

Desde 2013, o Estado está na lista dos estados com nível de desmatamento zero (menos de 100 hectares de desflorestamento), com 45 hectares na última edição, que avaliou o período de 2014-2015.

Em proporções menores, mas com a mesma importância, o ABCD Maior encontrou em Santo André dois personagens que são exemplos de inspiração e que ajudam escrever a história de reflorestamento na Região.

Amor às plantas

Antônio Garcia de Ávila, 73 anos, mora no Bairro Campestre desde 1978. Jornaleiro aposentado, Ávila retomou em 2006 uma paixão que há muito tempo estava adormecida: plantar árvores. “Sempre gostei de plantação. Depois que parei de trabalhar, comecei a fazer aquilo que sempre amei”, disse o aposentado.

Com botas de borracha nos pés e luvas e enxada nas mãos, o aposentado passa a maior parte do dia abrindo covas, plantando e regando vegetais em um terreno baldio, às margens do Parque Santa Maria (Guaiamu), bairro Santa Maria, em São Caetano. “É terapia para mim. Quando estou mexendo com a terra, esqueço os problemas da vida”, revelou Ávila.

Manga, mexerica, café e cedro

O jornaleiro aposentado garante que há mais de 200 espécies plantadas ao longo de 250 metros de terreno, entre espécies frutíferas nativas e silvestres, infrutíferas e flores. Parte das mudas foram doadas por conhecidos. “Aqui você encontra pés de ameixa, goiaba, seriguela, amora, manga, mexerica, café, pitanga, abacate, araçá, ingá gigante e outras que já não me lembro mais”, disse. Dentre todas elas, seu Antônio elegeu o cedro com mais de dez metros de altura como seu xodó: “O cedro foi a primeira árvore que plantei aqui quando comecei o trabalho”, destacou.

Mesmo com tantas árvores frutíferas, Ávila conta que dificilmente conseguiu colher algo para consumo próprio. “Quando não são as pessoas que panham, são os pássaros que comem”, riu. Por outro lado, a atitude do aposentado é reconhecida e elogiada pelos vizinhos. “Depois que ele começou a capinar terreno, nunca mais tivemos problemas com ratos”, afirmou a dona de casa Dina dos Santos, 60 anos. Esposa de Antônio, Maria do Socorro, 65 anos, se derrete ao falar do marido. “O mundo precisa de mais pessoas como ele!”, disse.

A ‘roça’ de Nivaldo

MATA 2Do outro lado de Santo André, encontramos Nivaldo Sanches, 64 anos, morador da Vila Curuçá. Torneiro mecânico aposentado, Sanches desenvolve mudas e planta de forma voluntária árvores frutíferas em uma praça do bairro há nove anos. “Faço tudo com muito amor e carinho!”, afirmou aposentado.

Natural de Ribeirão Preto, a ligação do plantio com Sanches é de longa data. “Dos sete aos 21 anos trabalhei nas roças de algodão, milho, amendoim, feijão, café, arroz e cana. Talvez minha paixão tenha surgido aí”, revelou. Na atual “roça” de Nivaldo é possível encontrar de tudo um pouco. Há pés de manga, jaca, abacate, graviola, jambo da Bahia e tamarindo. “Árvores frutíferas chama mais atenção e gera conhecimento nas pessoas”, explicou.

Todo domingo, Nivaldo reveza as atenções do plantio com o almoço em família. “Meus filhos e neto sentem orgulho do que faço. Como cidadão, tenho que fazer algo para minha cidade”, declarou.

Entretanto, o aposentado lamenta a falta de incentivo do governo e interesse das pessoas. “A sociedade de hoje não quer compromisso. Não há custos para isso, apenas dedicação e amor”, disse.