Artesãs fazem da bananeira artesanato em Rio Grande da Serra

BANANABananeira só produz banana, certo? Errado! Na Associação Fibras da Serra, localizada na rua dos Autonomistas, 357, Vila Figueiredo, em Rio Grande da Serra, dez artesãs extraem da bananeira a matéria-prima necessária para confecção de jogos americanos, chapéus, bijuterias, bolsas, carteiras, bonecas, cestas e outros diversos itens decorativos: a fibra.

O projeto 100% sustentável entrou em prática em 2005, quando a empresa Solvay Indupa – do ramo de produtos químicos e instalada na região – fomentou dentro da comunidade a discussão sobre questões ambientais e formação profissional para geração de renda. “O projeto gera renda extra para muitas famílias. Do valor total das vendas, 10% são destinados à associação e 90% fica com as artesãs”, disse a responsável pela captação de recursos da entidade Anita Ramos.

Bananais
Rio Grande da Serra é uma cidade rica em bananais, mas o problema dessas plantações é que o pseudocaule, depois que floresce e dá fruto, fica geralmente sem utilidade, podendo durar até cinco anos para se decompor na natureza. Boa parte matéria-prima é obtida por meio de doações. “Poucos sabem, mas a bananeira é um rejeito natural de grande potencial”, destacou Anita.

No projeto, os integrantes aprendem técnicas de extração da fibra e palha da bananeira, tingimento, métodos de secagem, armazenamento e tecelagem da fibra. A primeira fibra tirada é chamada de filé, utilizada para artesanatos mais delicados; a segunda é a barriga; a terceira é a renda, mais utilizada para acabamentos; a quarta é a casca, usada para trabalhos de cestaria e, por fim, a quinta é a fibra larga, usada para confecção de bonecas ou flores.

A loja da associação possui cerca de 200 peças, com preços de variam de R$ 5, como porta-trecos, a R$ 120, como cestas. “Comercializamos nossos trabalhos em festivais e feiras da região. Por conta das encomendas de algumas empresas, nossa meta é produzir em grande escala”, afirmou Anita.

Artesãs

BANANA 2Roseli Almeida dos Santos, 55 anos, está na Fibras da Serra desde o início do projeto. Enfermeira aposentada, a artesã não perde um dia. “Estar aqui é tudo para mim. Hoje, não posso ver uma bananeira que já penso em transformá-la em um objeto”, disse rindo. Casada e mãe de três filhos, Roseli chega a faturar aproximadamente R$ 1.500 por mês. “O dinheiro que ganho serve para pagar viagem de fim de ano”, revelou.

A dona de casa Maria Aparecida Damásio, 55 anos, mora na Vila Niwa, bairro riograndense carente. Ela leva 20 minutos todos os dias para chegar à associação. Maria é especialista em confecção de cestas. “Só depois que entrei no grupo é que descobri que dava para fazer tudo isso com a bananeira. Até então só sabia que dava para comer banana”, riu.

Sônia Maria Scarpanti, 59 anos, perdeu as contas de quantas sacolas, carteiras e jogos americanos produziu. Mas o que ela sabe é que parte dos artigos atravessou as fronteiras do Brasil. “Já vendi peças que foram levadas para Canadá e Itália”, afirmou.

Maria José Moreira, 46 anos, é a mais nova da turma. Há cinco meses, ela saiu da cidade mineira de Montes Claros e enfrentou 1.027 quilômetros de estrada para poder morar com a filha, que sofre com problemas de saúde em Rio Grande da Serra, e os netos. “O artesanato é uma forma de eu poder ganhar dinheiro e ajudar minha filha que infelizmente não está podendo trabalhar”, revelou.

Serviço
Associação Fibras da Serra – rua dos Autonomistas, 357, Vila Figueiredo, em Rio Grande da Serra. Telefone – 4821-5176.