Votação e futebol dividem atenção nas ruas da região

MODELO INTERNOA votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) ontem na Câmara Federal pouco mobilizou grupos pró ou contra a petista nas principais vias do Grande ABC. Em diversos bares da região, por exemplo, muitos frequentadores optaram por assistir a partida de futebol, dividindo os ‘holofotes’. Apenas após a confirmação do resultado, no plenário, é que houve demonstrações de envolvimento, com queima de fogos e buzinaço.

A equipe do Diário percorreu ruas e centros comerciais para acompanhar a movimentação. Na Rua das Figueiras, em Santo André, e as avenidas Kennedy e Prestes Maia, em São Bernardo, e Goiás, em São Caetano, não se registrou grandes concentrações.

Nos bares, o ambiente não estava inflamado para o lado político. Embora as emissoras de TV tenham transmitido ao vivo todo o processo da apreciação desde às 14h, a votação não prendeu a atenção da maior parte do público. “Para mim, não passa de mero teatro. Por isso que não estou dando bola”, disse o motorista Felipe Brigatti, 28 anos, favorável à queda da presidente.

Já o estudante de Direito Gabriel Brito, 24, creditou a falta de áudio dos televisores de um bar que fica na Avenida Kennedy para a dispersão de interesse no local. “Como teremos vontade de acompanhar se não conseguimos ouvir o que (os políticos) estão dizendo?”, indagou o jovem, enquanto tomava copo de cerveja com um amigo.

O jogo entre São Paulo e Audax, válido pelas quartas de final do Campeonato Paulista (leia mais na página 4 do caderno Esportes) – que terminou com goleada de 4 a 1 para o time de Osasco –, foi fator que influenciou na predileção. Aqueles que compareceram aos bares das três cidades visitadas preferiam assistir à decisão entre os dois clubes. “Passo a semana toda ouvindo falar sobre impeachment. De final de semana tenho o direito de curtir o meu time ao lado dos meus companheiros”, revelou o motorista Tiago Cardozo, 29. “A partida deveria ter sido adiada. Como não foi, preferi ficar com a emoção do jogo. O resultado da votação confiro depois”, justificou Pedro de Oliveira, 32.

Lugares que foram palco de atos ficaram vazios durante a sessão

Palcos de grandes concentrações de manifestantes pró e contra o governo federal nos últimos meses estiveram vazios ontem durante a apreciação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, a exemplo do entorno do prédio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ambos em São Bernardo, e os arredores do Paço Municipal de Santo André, em frente à subsecção local da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

No início da noite, a equipe do Diário esteve em frente ao apartamento de Lula, localizado na Avenida Prestes Maia, no Centro, e constatou somente a presença de oito seguranças particulares que faziam a proteção do local e de algumas equipes de imprensa que aguardavam o fim do ato em Brasília para registrar qualquer tipo de movimentação na residência do líder petista.

O ex-presidente decidiu retornar à Capital Federal para contribuir nas articulações políticas na tentativa de salvar o mandato da pupila, a presidente Dilma.

Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos cerca de dez seguranças também zelavam pela integridade do edifício. Os funcionários desconheciam chance de se promover atividade pró-governo na região, uma vez que o grupo aliado se juntou a movimentos sindicais, militantes e políticos no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

O Paço andreense, reduto de recentes protestos pró-impeachment, também não contabilizou movimentação. Lideranças antiPT prometiam comparecer às atividades da Avenida Paulista, na Capital.