Em São Bernardo, militantes dão apoio a Lula

LULA O1O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu apoio de aproximadamente 400 manifestantes, entre movimentos sindicais, militantes e políticos, na manhã de ontem em frente ao seu apartamento, localizado na Avenida Prestes Maia, no Centro de São Bernardo. Lula tornou-se um dos alvos da Operação Lava Jato e sua residência virou ponto de vigília petista. A PM (Polícia Militar) restringiu a passagem de opositores no entorno para evitar tumultos no local.

Organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o ato em apoio a Lula e ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) começou por volta das 8h, terminando às 14h. Os apoiadores utilizaram carro de som e estenderam faixas. Integrantes da UJS (União da Juventude Socialista) entoaram cânticos de incentivo. Já um outro grupo montou churrasqueira na calçada para assar coxinhas de frango em alusão ao apelido dado aos grupos ligados à direita.

“Nossa intenção é proporcionar um ato pacífico. Quem achou que viemos para fazer baderna, errou”, declarou Brás Marinho, presidente do PT em São Bernardo e irmão do prefeito Luiz Marinho (PT).

Lula saiu do prédio por volta do 12h para agradecer a manifestação e dialogar com os movimentos. Em uma ação rápida, o líder petista tirou algumas fotos e logo retornou para o edifício, onde se despediu, acenando para o público com um dos netos no colo. O ex-presidente não fez discurso.

“Lula está feliz com o apoio dos militantes e muito seguro em relação às acusações que vem sofrendo”, revela Geraldo Maranim, um dos líderes do sindicato. O dirigente ironizou o pedido de prisão preventiva contra Lula, sob investigação do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) por suspeita de crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica relacionados ao triplex do Edifício Solaris, no Guarujá. “Hoje, tudo que o é lucrativo é do Lula, e tudo que há de ruim é do PT”.

A professora Maria Aparecida Souza Maia, 45 anos, é moradora de Mauá e filiada ao PT há 27 anos. Ela defendeu o governo Dilma e confia na permanência do PT no Planalto. “O pedido de impeachment é agressão à democracia. Não existem provas para tirá-la do poder.”

O radialista Valmir Maia, 58, descartou fragilidade mesmo em meio à crise política. “Recebemos força do povo e lideranças políticas de diversos países.” Em ruas próximas a concentração dos militantes pró-PT, contudo, alguns se posicionaram a favor do processo de afastamento. O músico Márcio Nunes, 44, falou do sentimento contrário sem partidarismo. “Os petistas acreditam que nós, que somos contra o PT, estamos a favor do PSDB. Independentemente de partido político, queremos um País justo.”