Paralisação de ônibus causa transtornos aos usuários em São Bernardo

BUSParalisação de motoristas e cobradores da SBCTrans, empresa que presta serviço de transporte público em São Bernardo, atrapalhou a vida de passageiros que dependiam do serviço na manhã de ontem e causou congestionamentos na região central da cidade, já caótica por conta dos diversos canteiros de obras espalhados pela área.

Insatisfeitos com o pagamento de apenas parte do salário de novembro, funcionários da companhia cruzaram os braços e realizaram manifestação na Avenida Faria Lima, onde perfilaram os coletivos e impediram a passagem de veículos entre 9h e 12h. Após acordo, com a promessa de que os vencimentos serão pagos na segunda-feira, os motoristas e cobradores voltaram ao trabalho.

A funcionária pública Irma Santos, 59 anos, saiu de casa às 10h30 para embarcar em ônibus na Estrada dos Alvarengas, sentido Centro, para pagar contas. Irma disse que ficou uma hora e meia esperando pelo transporte que a deixou na avenida Robert Kennedy, no bairro Assunção. Para piorar a situação, ela foi obrigada a seguir a jornada a pé até a rua Marechal Deodoro, cerca de cinco quilômetros. “Achei horrível. Sábado é o único dia que tenho para resolver minhas coisas, e infelizmente não consegui resolvê-las”, esbravejou.

A desempregada Maria Reis Veiga, 40, que foi até o Centro da cidade para comprar ração para seu gato, engrossou o coro. “Eles não têm o direito de paralisar ônibus quando bem entenderem. Eles dependem do nosso salário para sobreviver”, considera a moradora do Jardim das Orquídeas.

A aposentada Maria do Carmo Santos, 68, foi outra que reclamou do atraso do ônibus. Ela teve de esperar cerca de 30 minutos pelo coletivo sentido Hospital São Bernardo, no Jardim do Mar, para a realização de hemograma. “Demorou demais. Quando passou, veio cheio. Tenho quase 70 anos e ninguém me cedeu lugar para sentar.”

A estudante Grazielli Yara Silva, 20, defendeu o ato realizado pela categoria, mas questionou a falta de organização. “Eles têm toda a razão de protestar, desde que não prejudiquem aqueles que necessitam do transporte público”, acredita.